Na primeira aula do mestrado em Ciências Computacionais recebemos uma advertência: refletir sobre as nossas pesquisas para que nem a ganância e nem a vaidade nos ceguem. Sempre deveríamos questionar as reais razões para realizarmos determinadas tarefas e se elas de fato irão contribuir para concretização do “mundo como desejamos que ele seja”.

Muitos são movidos pelo ego, entretanto erroneamente. Se preocupam mais com o que tem do que quem são.

Recentemente tive o prazer de conhecer João Candido Portinari, filho do grande artista brasileiro Candido Torquato Portinari. Estranhou o nome? Brasileiro sim, brasileiríssimo! Nascido na pacata cidade de Brodowski, desde muito pequeno devotou-se às artes e como todo artista viveu apenas de ar… Nunca se preocupou em catalogar seus trabalhos e coube ao seu filho a árdua tarefa de catalogar sua obra, uma pesquisa brilhante que contribui inclusive para prosperidade tecnológica do nosso país. Foi tão bem sucedido que hoje Portinari tem um  catálogo “Raisonné”, feito de pouquíssimos artistas.

Não ficaria espantada se pensasse nesse momento: “Quero um Portinari!”. Verdade! Com qual elegância ele contribuiria para uma sala! Ainda assim eu prefiro pensar… “Quero ser um Portinari!”. Não, não desejo me casar com um descendente, quero ser brasileira como ele, determinada como ele.

Portinari foi estudar na Europa por mérito de suas obras enquanto ainda era aluno ouvinte da Escola de Belas Artes. Voltou e voltou correndo… A pintura clássica não lhe dizia nada, afirmava querer pintar “as coisas da sua terra” e por fim escolheu a morte. Sim, Portinari pintou os murais “Guerra” e “Paz”, expostos para os chefes de Estado que visitam a ONU. Lhe foi encomendado e ele viu nessa oportunidade colocar o nome de nosso país, na época apenas uma terrinha tupiniquim, aos olhos do mundo. Ele sabia que não poderia mais pintar devido aos danos que as tintas que utilizava provocaram à sua saúde e ainda assim o fez. Viveu toda a vida pelo Brasil, contribuiu para a construção do mundo como ele gostaria que fosse.

Então, quer ter um Portinari ou ser um Portinari?

Sêneca sempre me faz refletir “sobre a brevidade da vida” e sintetizo sua idéia de que quando bem vivida nunca que é breve, por menor que seja o tempo decorrido.  Cada um há de filosofar por si o que é uma vida bem vivida.  E talvez tal reflexão despenda tanto tempo que muitos procuram a fórmula da juventude, a tal pedra filosofal do “Harry Potter”, uma lidinha em “Crepúsculo” quando não se é adolescente, uma festa “Ploc”, implante capilar, reposição hormonal ou aquele carrão adquirido na crise dos cinqüenta.

Já recebi algumas receitas: trabalhar com crianças é a melhor forma de manter-se jovem, jamais perder a curiosidade sobre o mundo, ler, ler até morrer. Entretanto, a fórmula teria que vir de um químico e assim o foi. Reencontrar amigos de juventude é retroceder no tempo, voltar a ser quem era, mesmo que por poucos momentos.

A amizade assim como o tempo não retrocede, modifica, mas faz reinar o vigor dos tempos que chamamos apenas de bons.

A menina de 16 anos encontrou o rapaz de 19 quando o químico entregou para matemática a fórmula da juventude.

Eu queria gostar de novelas, mas prefiro risoto de limão.

Eu queria gostar de novelas, mas aprecio liberdade.

Eu queria gostar de novelas, mas não tolero frivolidades.

Eu queria gostar de novelas, mas viajo em pensamentos.

Eu queria gostar de novelas, mas tenho encontros com filósofos.

Eu queria gostar de novelas, mas suspiro por Heathcliff, Mr. Darcy e tantos outros.

Eu queria gostar de novelas, mas eu prezo pelas famílias.

Eu queria gostar de novelas, mas gosto de gente.

E se pudesse escolher do que gostar, eu queria gostar mesmo era de “Big Brother Brasil”.

            Somos todos viciados! Não, não torça o nariz para mim, não pense que é diferente! Somos todos viciados e isso é provado pela bioquímica. Todas as respostas emocionais, todos os sentimentos provocam reações químicas e nós, os frágeis seres humanos, ficamos viciados a algumas enzimas, alguns compostos químicos. A dependência dos sentimentos não é muito diferente da dependência dos narcóticos. Desde modo, o depressivo quer, racionalmente, se curar, mas seu corpo procura por químicas que não lhe satisfazem e desse modo muitas pessoas desejam a infelicidade, mesmo que inconscientemente. É assim que acontece também com os conquistadores, ou as pessoas que rapidamente se apaixonam e desapaixonam. E somos todos, no fundo, por mais que tentemos esconder, uns viciados.

            As feridas da Amy Winehouse são visíveis. Muitos de nós as carregam sob a pele, escondidas por sorrisos cheios de uma seriedade que poucos percebem e ainda, como ela, cantam “They tried to make me go to rehab but I said ‘no, no, no’”. Eu digo não, e você? A ironia é que somos ensinados a dizer não às drogas, mas quais são elas?

“Ele não está à sua altura!”

Como, qualquer um de nós, pode perceber diferenças de altura quando desde Shakespeare se repete que o amor é cego?

A unidade fundamental de medida de comprimento é o metro. Que altura é essa? Que valor estamos atribuindo às pessoas? Beleza, inteligência, projeção social?  São essas as medidas para a referida altura?

Ah! É inegável, há uma diferença óbvia de alturas, percebida por aqueles que não estão cegos. Então lhe dirão que ele a puxa para baixo, é como um sobrepeso. Talvez seja verdade, ou talvez seja você quem precisa de uma muleta emocional.

Newton talvez fosse mais contundente ao afirmar que a cada ação provocamos uma reação de mesma força e sentido contrário, pois a diferença de alturas só é possível porque enquanto um escala sobre o outro, o mesmo o empurra.

Cuidado ao conclamar sua altura, pode perder as muletas que as sustentam!   

 

 

 

Há quem diga que para um cafajeste nascer são necessários, em média, nove meses. Para as mulheres o processo é um tanto quanto diferente. São necessários dois homens, um lhe transmitirá o DNA, o outro partirá seu coração. Em alguns casos esse homem é o mesmo.

 

As cafajestes são mais numerosas que o imaginado e muito mais difíceis de serem identificadas. Não estamos tratando das “piriguetes”, mas sim de uma moça, de família, com certeza, que teve seu coração partido e ao invés de voltar-se para sua dor resolveu reparti-la de modo nada cristão.

 

Elas existem, acreditem! Surgem da noite para o dia, ou após algumas muitas lágrimas desperdiçadas. Há o momento do basta e nasce uma fênix, que parece curar com lágrimas, mas que apenas queima quem ousa cruzar seu caminho.

 

Pode estar sob o invólucro de mãe, tia, amiga, pode parecer a melhor namorada do mundo, entretanto em todas as mulheres há uma cafajeste pronta para sair, ou porque acham que dizem que com mulher nem o diabo pode?

 

Dedicado a um “pernambucano” arretado, cabra da peste e nada cafajeste: Leonardo Marques.

Muitas pessoas perdem tempo tentando definir o amor, como se houvessem palavras suficientes para tal. Há aquelas que questionam a todos como saberão que é, de fato, amor. Existem as equivocadas que confundem amor com paixão, posse ou ciúme. Até mesmo as inocentes que trocam amor por carência e carência por amor. Para algumas é um jogo, mas essas amam apenas a si mesmas. Quase todas, até mesmo as que desconhecem o amor, concordam que ele é capaz de curar.

 

Quantas pessoas são transformadas pelo poder mágico que o amor tem? Quantas se transformam pelo mito que o amor talvez seja?

 

Quando suas mãos estiverem em seus cabelos e sentir que o seu coração está entre os dentes dele, que um único olhar é capaz de despi-la por completo e seu toque for como um raio atravessando cada um dos seus músculos entenderá que existe uma forte ligação entre vocês. A certeza virá pelos olhares que preencherão silêncios mais belos que sinfonias.

 

E quando o souber, não poderá esconder-se mais, nem de si mesma. Afinal, o amor é isso: a solução de uma equação de várias variáveis e ainda assim é só o amor…

 

Meus colegas dizem amá-la. Eu sei que jamais a amei. Honestamente acho que lhe temo. Você seria a melhor companhia em meus momentos de solidão, inquietude ou insanidade. Não lhe escolhi por empatia, mas praticidade. Era simples e exata. Ter-lhe como certeza em meio às ironias da vida é reconfortante.

 

Em muitos momentos você foi o maior dos dilemas. Se eu abraçá-la, não com amor, mas cheia de convicção, talvez fique presa nas suas armadilhas de ego ou me isole nos seus caminhos tendo apenas você como companheira.

 

O meu espírito livre e a minha loucura consciente me fazem temê-la, mas ainda a almejo pela segurança que me oferece. Sejamos sinceras: não é paixão, jamais seria. Desta forma ambas estamos seguras. Entretanto, é o meu norte verdadeiro.

 

Ensinou-me a ser prática, a amar e odiar questionamentos e deste modo eu quase assassinei a artista. Por falta de coragem, decidi deixá-la escondida ou dar-lhe menos atenção. Pobre coitada da artista! Vive apenas de ar…

 

Nosso maior impasse sempre foi o meu pai. Agora que me vejo sob o olhar dele, lhe tenho gratidão e estou livre para caminhar de mãos dadas contigo, mas não me roube o mundo porque ainda a temo e não sei se está bem certo, exato, preciso, o que podemos fazer juntas. Só você é precisa, parte de mim ainda pertence à artista e ela nem sabe do que precisa.

Já que tenho que fazê-lo que seja rapidamente como ela o é. Lhe prometo não escrever frases repetidas e nem ser “piegas”. Já quis ser fria como ela, mas sou quente. Posso dizê-lo porque já olhei, sem temor, em seus olhos que refletiram num único minuto o famoso filme das nossas vidas. A morte não vacila e quando se apresenta muda tudo. Seja você um sobrevivente ou não.

 

Sejamos práticos: é o ciclo da vida, cadeia alimentar, evolução espiritual que seja!  A dor dos que permanecem não é justificável por nenhuma explicação, não pode ser consolada com nenhuma palavra. É tolo pensar que há um modo de amenizar a separação definitiva. E acontece assim, de repente, numa hora estamos vendo a novela das oito e noutro segundo ligando para o seu melhor amigo de infância para avisar que o seu avô subiu no telhado.  

 

Simplesmente perdeu a graça debochar do último resultado do Flamengo porque eu nunca mais verei o rosto do meu quase avô sorrir por saber que no final é o Botafogo que vai descer. Hoje a ausência dele rebaixou uma botafoguense, aliás, alguns botafoguenses.

 

E o campeonato brasileiro continua…

 

 

Há um engenhoso fidalgo sobre nuvens e fronhas. Sua voz é tão melodiosa quanto a de qualquer músico, sua leitura tão elegante quanto a de qualquer poeta. Tem gosto de trufa de morango, cheiro de terra molhada e toques suaves como a brisa de uma manhã gélida. Ainda assim é quente, não demasiadamente, apenas agradavelmente quente como as tardes de primavera deveriam ser.

 

Ele diz fazer amanhecer, mas suas manhãs são sempre cheias de brumas. Essas me impediam de ver que os cachos de anjo escondiam um vampiro. E eu, que sempre mostrei os dentes, fiquei encantada por suas palavras que com o tempo mostraram-se repetitivas e falsas.

 

Não é audacioso, entretanto faz brotar açucena e as rega com angústia, colhe agonia e por isso escreve tantas teogonias.

 

Eu, a dama do crepúsculo, tentei encontrar o fazedor de amanhecer, mas tudo que temos é o Sol que ele faz surgir e eu espero para esconder.