Você sempre esteve presente, me fez companhia em tempos de agonia quando nem sabia que você era a agonia.
Em cada detalhe cuidadosamente planejado, em cada momento valorizado, era você quem guiava meus passos, repetidamente.
Estivemos juntos por 23 anos sem que eu o conhecesse. Eu tinha tantos nomes para você, tantas justificativas para sua presença.
Não só eu não percebi sua existência. Todos preferiam chamar-me de estudiosa, cuidadosa, meticulosa, exagerada, quem sabe até descontrolada. Ninguém queria vê-lo pelo que é.
Em um dia ensolarado me disseram que era o meu único e verdadeiro companheiro. E que galanteador! Persuasivo e poderia até ser prestativo. Entretanto, há tempos que nos comportamos como um casal que deseja desesperadamente separar-se, mas não sabe como. Já não lembro mais o que é viver sem você.
Ambos estamos ligados por um cordão quase que umbilical, é as vozes da minha cabeça, os meus sorrisos nem sempre verdadeiros. No meu universo é a lei que rege os planetas. É a minha gravidade, é grave.
Hoje me olhei no espelho e te vi nos meus olhos e já não sei onde eu começo e você termina, apenas que termina comigo.

1 comentário
Feed de comentários deste artigo
outubro 10, 2008 às 11:47 pm
lamarq
hummm seria essa a sua versão do ‘be yourself, by yourself’? Que ego mais elegante hein