“Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!”

 

Gilberto era o seu nome e com ele muito aprendi, aquele menino pequeno e magricelo de apenas sete anos que tive o prazer de dividir um lanche num desses dias no Méier. 

 

Desprovido de condições adequadas ele comprou com os trocados acumulados pela venda de bananadas no sinal um açaí e não satisfeito o transformou em uma bomba calórica ao salpicar uma paçoca moída por cima.  Gilberto entende mais de alimentação do que as mais belas anoréxicas.

 

E mesmo de corpo raquítico tem uma alma sólida. Gilberto dividiu seu único alimento com um irmão ainda menor que ele e foi extremamente educado ao pedir-me para entregar-lhe duas colheres, pois não era capaz de atingir o balcão. Em uma única sentença demonstrou mais educação e hábitos higiênicos que meus alunos tão bem nascidos em um ano letivo inteiro. Seu tom de voz era determinado, desprovido de temor e muito respeitoso.

 

Gilberto merece mais do que sua mãe pode lhe oferecer, do que eu pude compartilhar e acima de tudo, mais do que essa terra tão gentil em seu hino poético pode lhe proporcionar.

 

Hoje eu lembrei do Gilberto com muito carinho quando me encaminhei para votar e recordo-me dele sempre que canto o hino ou quando tento repetidamente fazer com que meus pequenos abastados alunos respeitem seu país e transformem a poesia do hino em realidade.